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A aceitação segundo a perspectiva da ACT: Esteja disposto apesar de sua mente.


1 - O que significa aceitação?


Aceitar, segundo o senso comum, se refere a “pegar o que é oferecido”, porém, também pode ser entendido como “conformar-se” com algo, o que pode gerar uma ideia de passividade ou desistência. Entretanto, a Terapia de Aceitação e Compromisso, conceitualiza aceitação como “estar disposto”, respondendo e participando de uma ação, de forma ativa. 


2 - O que é a ACT:


A Terapia de aceitação e compromisso (Acceptance and Commitment Therapy), postulada por Steven C. Hayes, é comumente chamada de “ACT” e faz parte da terceira onda de terapias cognitivas e comportamentais. Muito além da semelhança com a palavra em inglês “ACT” (agir), Hayes propõe uma nova forma de olhar para o sofrimento humano, através da aceitação, mas de forma ativa e consciente. A ACT objetiva gerar flexibilidade psicológica no cliente e, para isso, ela possui seis processos-chave, são eles: desfusão, aceitação (como disposição), atenção ao momento presente, self como contexto, valores e ação de compromisso. Aqui, iremos focar na aceitação.


3 - Aceitação (segundo a ACT):


O objetivo do “estar disposto” é na verdade estar aberto para a vitalidade do que vivemos e experienciar sua própria subjetividade, os sentimentos bons e ruins, de forma plena. É a capacidade de estar com meus sentimentos enquanto me dirijo para o que é importante pra mim. Nesse sentido, existem sentimentos, memórias e pensamentos dos quais não nos orgulhamos ou queremos evitar, porém, devemos pensar neles como visitantes inesperados, que são recebidos, inerentes à existência humana. Dessa forma, a aceitação requer que o indivíduo acolha uma postura mais gentil e afável consigo mesmo e com os outros, sua trajetória e suas dores, como um observador consciente de sua vivência. Dessa forma, a aceitação segundo a ACT, está na dimensão dos afetos, em como o sujeito se relaciona com seus próprios sentimentos sem fugir deles, com abertura e curiosidade. É estar aberto a experienciar sem deixar que eles o comandem. 


Entretanto, não é fácil estar disposto, uma vez que nossa mente foi programada para não entender completamente a disposição (esta não julga, vive e existe no presente). Sendo assim, a mente humana é baseada em relações e avaliações temporais. Com isso, a vivência das emoções também é afetada por esse processamento, e está relacionada à construção dos nossos valores (aquilo que é mais importante para o indivíduo).


Algo valioso percebido pelos autores, é que quanto mais tentamos controlar os nossos sentimentos e pensamentos, mais eles ocupam um papel central em nossas vidas. Em decorrência disso, os valores que o indivíduo busca para se ter uma vida significativa, ficam cada vez mais distantes da vida que ele experiencia, e a capacidade de viver no momento presente diminui. Por outro lado, a aceitação propõe que o cliente observe suas emoções em funcionamento de forma imparcial, ao mesmo tempo em que “acolhe o momento”. Isso promove abertura psicológica, aprendizagem e compaixão por si mesmo e pelos outros, sem exigir a Reavaliação Cognitiva direta dos pensamentos. Finalmente, é importante destacar que a aceitação não é: querer ou desejar; condicional; tentar; uma questão de crença; autoenganosa; manipulação.


4 - Evitação experiencial:


Na extremidade oposta da aceitação, encontramos a evitação experiencial. Ela está na base de muitos dos sofrimentos psicológicos e isso ocorre porque a maioria das pessoas, possui estratégias de enfrentamento baseadas na premissa da supressão emocional (não expressar ou disfarçar uma emoção de forma frequente e intensa). Na tentativa de controlar o que sentimos e pensamos, seja evitando ou suprimindo, conseguimos somente aumentar a frequência e intensidade das experiências temidas. Porém, a aceitação proposta pela ACT tem sido uma base para melhora nesses resultados. A partir de uma perspectiva mais atenta e flexível, o indivíduo que antes usaria a esquiva como estratégia de enfrentamento, pode aos poucos substituir para uma conduta de aumento no engajamento emocional e na expansão comportamental. Por fim, o objetivo da disposição na ACT envolve aprender a como “sentir melhor”.



Mesmo que sua mente não seja capaz de aprender como estar

disposto e aceitar, você é.

Steven C. Hayes (2022, pág. 62).




Você tem acolhido as suas experiências emocionais, ou tenta evitá-las?


O que você acha de tentar assumir uma postura de maior engajamento emocional na sua vida?




Louize Vieira - IG: @psi.louizevieira

Estagiária do Carreira Psi

Graduanda em Psicologia pela PUC-Rio, atualmente no 10º período. Meu interesse de estudo é Saúde Mental, Transtornos de Humor e de Personalidade e Relacionamentos.





 

Referências:


Aceitação. (s.d.). Dicio, Dicionário Online de Português (2009).


Hayes, S. C., Smith, S. (2022). Saia da sua mente e entre na sua vida: a nova terapia de aceitação e compromisso. Sinopsys editora.


Hayes, S. C., Strosahl, K. D., Wilson, K. G. (2021). Terapia de Aceitação e Compromisso - 2.ed.: O Processo e a Prática da Mudança Consciente. Artmed Editora.


Hayes, S. C. (2004). Acceptance and commitment therapy, relational frame theory, and the third wave of behavior therapy. Behavior Therapy, 35, 639-665.


Wenzlaff, R. M., & Wegner, D. M. (2000). Thought suppression. Annual Review of Psychology, 51, 59-91.


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1 comentário


Carolina Areosa
Carolina Areosa
13 de mar.

Que texto necessário! Amei conhecer um pouco mais sobre o tema!

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