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O papel do compromisso no processo psicoterapêutico


Nos últimos anos, com o avanço das pautas de saúde mental na sociedade, estamos presenciando a popularização e redução do estigma em torno das psicoterapias, com cada vez mais pessoas procurando por apoio psicológico profissional. Essa normalização é extremamente positiva, contudo, nesse mesmo processo surgem alguns equívocos acerca do tema.


Tornou-se comum, especialmente na internet, recomendar que as pessoas busquem a terapia. Em discussões, é ainda mais comum ver indivíduos com comportamentos considerados problemáticos serem recebidos com comentários tais como “vai se tratar”, em tom pejorativo. Embora o simples ato de indicar a procura por um psicólogo não seja intrinsecamente ruim - podendo ser inclusive um gesto de cuidado com o outro -, por vezes desconsidera-se um aspecto fundamental: o principal interessado deve ser aquele ou aquela que se propõe a iniciar o processo terapêutico.


Ainda que comparecer às sessões já demande algum nível de comprometimento, apenas isso não é o suficiente. Isso porque, primeiramente, o compromisso maior não é com o profissional que lhe atende, e sim consigo mesmo. É preciso, sobretudo, agir para que ocorram as mudanças necessárias, a parte mais trabalhosa e que mais exige compromisso durante o processo terapêutico. Por vezes, essa ação pode ser simplesmente reconhecer a existência de uma situação que precisa de transformação.


Em alguns casos, é possível que a dificuldade de assumir compromisso com a mudança seja uma das próprias questões que o trouxeram à terapia. A falta de um objetivo claro, expectativas irrealistas de melhora sem passar pelo trabalho da terapia ou a falta de esperança podem ser fatores cruciais que impedem com que você se comprometa de fato com o processo. Nesse caso, é importante conversar com seu psicólogo e reconhecer essas ou outras inquietações que atrapalhem seu progresso. Por fim, saiba que, embora entregar-se e dedicar-se à mudança exija um esforço contínuo, as recompensas do seu empenho são duradouras nesse projeto de desenvolvimento no qual você é seu principal aliado.


 

Autor: André Rodrigues

Estagiário do Carreira Psi

Nosso Psi em Desenvolvimento está no 9º Período da graduação em Psicologia da PUC-Rio e seu interesse de estudo é nos temas de Neuropsicologia, Gênero e Sexualidade e Questões Raciais.






 

Beck, J. S. (2013). Terapia Cognitiva-Comportamental: teoria e prática. 2ª Ed. Porto Alegre. Artmed.

Moran, D.J (2012). Willingness to Change. Psychology Today. https://www.psychologytoday.com/us/blog/when-more-isnt-enough/201201/willingness-change.


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